Panorama dos algodões nacionais

Certa vez a Vic Ceridono, do Dia de Beauté, fez um post comentando sobre alguns algodões internacionais, considerando o da Chanel, Clé de Peau e um baratinho de farmácia, da CVS. O que era para ser apenas uma resenha acabou se tornando um post polêmico porque, ao  final do post, ela dizia que não conseguiria mais viver sem esses “algodões frescos” (na definição dela). Nisso o pessoal se revoltou, criticou que ela vivia num mundo de fantasia e meteu o pau, ignorando que:

  1. ela incluía no grupo de de “algodões frescos” uma marca barata (CVS: $5,00 o pacote com 50 unidades em tamanho gigante), e não só Chanel e Clé de Peau;
  2.  ela citava só ter conhecido anteriormente os discos de algodão da Johnsons ou da Topz.

Enfim, toda essa introdução é para dizer que eu concordo com a Victoria Ceridono no que se refere a algodões de boa qualidade. Pode parecer frescura para quem nunca testou, mas depois que você começa a usá-los, é difícil voltar para aqueles ruins. O bom é que algumas marcas nacionais já comercializam esse algodão de melhor qualidade e a oferta, pelo que tenho reparado, tem aumentado.

Pelo que vejo por aqui, dá para dividir os discos/quadrados de algodão faciais comercializados aqui no Brasil em 4 grupos distintos (em minha opinião):

1 – O tipo colméia:

Aparência: o disco possui um padrão cheio de bolinhas ou hexágonos em alto relevo, costuma ter espessura de média para alta. A acabamento nas laterais varia de acordo com a marca, alguns são meio agressivos.

Comportamento: ao ser umedecido, perde o formato facilmente, ficando estufado após seco. Desfia bastante.

Exemplos de marcas que comercializam: Topz, Apolo, York, Cremer.

Formato disponibilizado: discos e quadrados, em tamanho padrão.

Vista superior. Repare que nem utilizei e já está desfiando.

Vista lateral

Eu usei muito eles por falta de opção, mas hoje evito comprar desse tipo: só na emergência, último caso. É impossível usá-los sem sair sem um monte de fiapos, demaquilar os olhos é um horror.

Há bastante variação dentro da categoria, já que os fabricantes são diversos, mas o pior de todos que já experimentei foi o quadrado de algodão Apolo, fujam dele! Começa na dificuldade de tirar uma unidade da embalagem, é difícil distinguir os limites entre cada unidade. Ele desfia tão facilmente que já na embalagem parecem que as unidades estão grudadas umas nas outras, você não sabe se ao puxar vai sair um, dois ou metade de um quadrado. Mas o problema maior é a instabilidade dele quando molhado. Enquanto você vai passando no rosto, as fibras vão se desalinhando, ele vai abrindo, e você é obrigado a dobrar o quadrado no meio, pois em algumas áreas ele fica muito fino, quase abrindo um buraco. TODAS as vezes que o utilizei, ao final, o que eu tinha não era um quadrado, mas uma massa de formato indefinido. Me dava tanto desgosto usar esse algodão que me forçava a usá-lo para acabar logo.

2 – O que se multiplica

Aparência: retângulos de espessura alta, com padrão de retângulos em alto relevo. Ao olhar de lado, nota-se que ele é composto de várias camadas.

Comportamento: Solta menos fiapos que a categoria anterior, mas ainda solta. Muita gente gosta dele porque dá para separar facilmente as camadas, então o que era uma unidade acaba virando duas, 3 ou 4 unidades. A estabilidade dimensional é melhor que o colméia, ainda é um retângulo após o uso, ficando estufado após seco.

Exemplos de marcas que comercializam: só sei de uma, Sussex.

Formato disponibilizado: retângulos, no tamanhos normal e e grande.

Vista superior

esponja sussex

Vista lateral

Decomposto em camadas

Havendo esse e o colméia, eu prefiro esse, mas não morro de amores. Por ser muito grosso, acho que desperdiça muito produto. A separação das camadas torna ele mais econômico, mas o lado que se descolou fica cheio de fiapos. Na versão em tamanho grande, dá para separar em até 4 camadas. Fica fino, mas é só dobrar no meio que se torna usável dependendo da aplicação. As bordas desse daí costumam ser meio “assassinas”, quero dizer, duras. A situação é agravada pelo formato, dá um medinho da ponta do algodão arranhar ou cegar se entrar no olho (meio exagero, mas já me passou na cabeça).

3 – O bom

Aparência: espessura fina, de um lado é liso e do outro nota-se um padrão de listrinhas.

Comportamento: Excelente estabilidade dimensional, não alterando seu formato durante o uso. Não desfia nem estufa depois do uso. Mais suave para o rosto do que os demais. Por ser mais fino, requer menor quantidade de produto.

Exemplos de marcas que comercializam: Prada, Ricca, Equate (Wal Mart), Dauf (rede Pague Menos de farmácias), Farmais. Na verdade, independente do nome, quem produz é a Flexicotton Indústria e Comércio de Produtos de Higiene Pessoal, informação descoberta aqui e que pude comprovar pessoalmente com todas essas marcas citadas.

Atualizado (23/06/2012): Atualmente, os discos de algodão Prada não são mais produzidos pela Flexicotton, eles são importados da Turquia e a textura é igual ao “luxinho” citado abaixo, a diferença entre eles é só o formato. Eu, particularmente, ainda prefiro os fabricados pela Flexicotton, pois acho que possuem maior estabilidade dimensional (deformam menos durante o uso) do que esses importados da Prada.

Atualizado (16/06/2012): Não sei se é impressão minha, mas a maioria das marcas que usavam esse algodão “bom” nacional substituíram ele pelo importado da Turquia. Continua suave e não arranhando, mas, como mencionado na atualização anterior, esse daí sempre dá uma deformada com o uso, particularmente, não me agradou essa substituição.

Formato disponibilizado: discos em tamanho padrão.

Disco de algodão Bellacotton York Panvel Dauf Dia

Vista superior

Disco de algodão Bellacotton York Panvel Dauf Dia espessura

Vista lateral.

Segundo o fabricante: “Desenvolvidos com tecnologia Water Jet, onde a manta de algodão recebe jatos de água sobre forte pressão proporcionando o cruzamento das fibras. Na prática esse processo resulta num disco com resistência superior e multidirecional, e que não solta fiapos no momento da aplicação.

Esse só surgiu no país recentemente. Pela foto, acredito que este tipo seja similar ao da CVS que a Victoria citou no post dela, porém sem o tamanho gigante. É o que eu mais gosto dos nacionais, faço até estoque para não ter que comprar dos outros. Por ser mais fino, a quantidade de produto requerida para que você passe no rosto e sinta o produto é bem menor do que nos outros algodões, ou seja, valoriza o seu dinheiro ao evitar desperdício. Retirar maquiagem dos olhos é muito tranquilo com esses: além de não grudar nenhum fiapo no cílio, ele é bem suave e não deixa a região das pálpebras vermelha após o uso. Também acabo usando ele para finalização da retirada de esmalte das unhas, mais especificamente daquele esmalte que fica no canto da unha e o algodão normal tem dificuldade de atingir. Usando a ponta da unha e esse algodão (com acetona), vou contornando cada unha para retirar os resíduos.

O preço varia bastante, mas como é tudo a mesma coisa, vale buscar o mais barato. O da Dauf eu paguei R$3,60 na embalagem com 50 unidades, o mais caro, se não me engano, é o da Prada. Falando na relação R$/g de produto, os algodões “bons” são mais caros do que os das outras categorias, mas este é um caso específico em que o que vale é o preço por unidade, e não a quantidade de massa de algodão que você leva para casa. É muito melhor um disco mais fino, que necessite menos produto e arranhe menos do que um disco mais grosso, que desperdiça produto e deixa um monte de pedaços no seu rosto. O custo benefício dos algodões bons para mim vale muito mais a pena.

Pelo que vi no site do fabricante, o foco dele é venda para marcas próprias, ou seja, a marca X encomenda o que quiser do catálogo e a Flexicotton entrega o produto com o rótulo e embalagem que a marca X definir. Por isso ele é encontrado na linha própria do Wal Mart e de várias redes de farmácia. Pelo que andei pesquisando, pela aparência, até o da famosa Panvel também parece ser deles. Então, não vá ignorar logo de cara aquele algodão de marca desconhecida só porque nunca ouviu falar dela, dê uma olhada antes para ver em que categoria se encaixa.

4 – O luxinho

Na verdade, essa seria uma subcategoria do “bom”. É similar à ele com relação à qualidade, mas a apresentação é diferente. É o Ricca Salon Quadrados do algodão. Ao contrário dos “bons”, ele não é produzido no país, mas é importado da Turquia. O tamanho dele é grande, e a padronagem na superfície é mais discreta. Gosto muito da suavidade dele no rosto e da praticidade obtida pelo tamanho maior, ao invés de gastar vários disquinhos, um dele costuma dar conta do recado quando se trata de demaquilar o rosto inteiro. Não testei esses algodões caros, mas a Vic Ceridono, em outro post, disse que achou ele  “ótimo, tem as mesmas qualidades dos de perua da Chanel e da Clé de Peau: mais macio que os algodões comuns, não desfia nem deixa rastros, absorção que otimiza o produto derramado nele.

Vista superior

Vista lateral

Me desculpem a má qualidade das fotos, acabou a bateria da minha câmera e o carregador está em outra cidade, então utilizei o celular e a iluminação não ajudou. Se conseguir fotos melhores substituo as atuais.

Se alguém souber de outra categoria, avise nos comentários. Aqui em São Paulo só tenho conhecimento destes.

Bônus: O Pedro, que escreve sobre cosméticos asiáticos em seu blog East to West Skin Care, fez um post sobre os algodões asiáticos, que pode ser lido aqui. É é interessante que alguns deles são muitos baratos (R$6,00 uma caixa com 240 unidades) e a qualidade excepcional. Pra quem se empolga com a idéia de algodões de boa qualidade, mesmo com frete deve compensar.

Saiba mais:

Tem 2 posts mais atualizados sobre esses algodões que eu gosto:

– Sobre a questão algodões Flexicotton e Turquia: O Tal Algodão Bom

– Sobre um quadrado de algodão bom e ainda maior que esse “luxinho”: Algodão GRANDE: Quadrados de Algodão Bellacotton.

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Sobre Vanessa

Engenheira química, paulista, 27 anos, apaixonada por cosméticos e maquiagens. Acredita que conhecimento nunca é demais e que as pessoas deveriam ser mais críticas com as informações que recebem.
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6 respostas para Panorama dos algodões nacionais

  1. Lanny disse:

    Vixe! Já passei muita raiva com estes algodões colméia, nunca tinha percebido que existia diferença entre o "colméia" e o "bom". Vou prestar atenção na hora de comprar. Eu adoro o da Prada (Ricca), mas é super difícil de achar em Brasília. Ele consegue ser mais barato que os de colméia e a qualidade é infinamente superior. Eu confesso que torci o nariz qdo vi a Vic Ceridono falando dos algodões da Chanel… 😉

  2. Eu testei algumas marcas, mas ultimamente sempre compro os discos de algodão da Prada, eu sei que tem melhores mas acho que já me apeguei… heheh esse da Apollo é horrendo, além de desfiar, de vez em quando tem uns com as extremidades mal cortadas e arranham o rosto…

  3. Vanessa disse:

    Na época que a Vic Ceridono fez o post eu já tinha conhecido o da Equate e entendi bem o que ela quis dizer com "algodões frescos". Não fosse isso, talvez eu também ficasse meio cismada com o comentário, acho que só mesmo conhecendo os os "bons" para se ter noção de como os outros são ruins.

  4. Vanessa disse:

    Esqueci de comentar esses acabamentos grosseiros, o da Sussex às vezes é bem assassino neste quesito, principalmente por causa das pontas dos quadradinhos.

  5. Rita disse:

    Adorei esse post, super esclarecedor, Vanessa! Quem trabalha com maquiagem não pode se dar ao luxo de conviver com fibras de algodão pra todo lado, tem que comprar o melhor, sempre! Obrigada!

  6. Vanessa disse:

    Concordo com você, pra quem trabalha com maquiagem a escolha de um algodão que não deixe aquele rastro de fiapos faz bastante diferença.

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