Como as coisas mudaram, não?

Achei curiosa essa imagem compartilhada por alguém no Facebook:

Segundo a fonte, é uma propaganda de 1925 da revista Ilustração Brasileira.

De acordo com o anúncio, pessoas magras são tristes, preocupadas e doentes, e bastam alguns quilos a mais para a aparência dela mudar para algo muito melhor. É interessante notar que, além do uso de mentiras para chamar a atenção, como mencionar que pessoas de 50 kg têm rugas e anéis debaixo dos olhos (olheiras?), ainda mencionam aspectos como pescoço magro e pernas magras como se fossem defeitos, quando na verdade é uma mera questão de imposição do padrão de beleza vigente à época.

Se pensarmos bem, não é muito diferente do que temos hoje, só que ao contrário. Atualmente, o que se vê nas propagandas é o oposto, a mocinha magra feliz e confiante e a cheinha com cara de poucos amigos e sem muito orgulho de seu corpo, como se pode observar nesta capa-propaganda sensacionalista:

É interessante notar que, se por um lado o padrão de beleza mudou drasticamente, pode-se dizer que as propagandas ainda mantêm o mesmo padrão, desde sempre atuando para encher o saco da mulherada para que atinjam  algum padrão de beleza, seja com quilos a mais ou a menos.

Acho que se eu vivesse naquela época seria tentada a tomar esse treco. Tive que chegar aos 25 anos e me tornar sedentária total (troquei o único exercício que eu fazia, uma caminhada diária de 45 minutos pelo ônibus que parava na porta da faculdade) para conseguir sair dos 45 kg e rodear meu corpo com 52 kg de “carnes firmes e sólidas”. Ainda  assim, pelo primeiro anúncio, eu estaria longe do padrão vigente à época. E hoje, com esses 7 kg a mais, já excedi o padrão atual, pois ao passar do manequim 36 para 38 já me tornei “gorda” demais aos olhos de algumas pessoas. Bizarro, para dizer o mínimo.

Por curiosidade, que raios é esse Bacalaol? Esse outro anúncio explica:

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Sobre Vanessa

Engenheira química, paulista, 27 anos, apaixonada por cosméticos e maquiagens. Acredita que conhecimento nunca é demais e que as pessoas deveriam ser mais críticas com as informações que recebem.
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10 respostas para Como as coisas mudaram, não?

  1. Castielzinha disse:

    Post muito bacana!Esse tipo de investigação e reflexão é importantíssima para nos questionarmos todo o tempo sobre os padrões ditos como "verdadeiros". Sem pensar a gente toma algo como absoluto, quando o buraco é bem mais embaixo (e claro, o comércio se aproveita disso!).

  2. Vanessa disse:

    Oi Castielzinha!Concordo com você, não dá para tomar um padrão como a verdade absoluta se o que se vê é que em cada canto do mundo ele tem uma cara. infelizmente, o que se vê é uma tendência de uniformização desses padrões.Para fins comerciais, é sempre interessante que exista um padrão e que muitas pessoas não se encaixem nele mas o cobicem, assim dá para criar uma mitificação ao redor dele e lucrar mais com a busca por ele.

  3. OI Vane!!!É….os tempos mudaram muiiito de 1925 para cá……Hoje o padrão de beleza é o terrível peso anoréxico….um horror contra a saúde e dignidade da mulher.Bom fim de semanaBeijosAndrea

  4. Aninha L. disse:

    Oi Vanessa! Fiz um comentário anterior a este, mas acho que não foi publicado. Me desculpe se for repetido.Achei muito interessante o post. Uma pena que o ideal de beleza, que hoje se resume em "magreza", esteja levando nossa sociedade ao adoecimento. A falta de aceitação de si mesmo e dos outros tem desencadeado doenças físicas e psicológicas.Ah, me identifiquei com você! Rsrs Quando concluí minha graduação (final de 2011), eu também pesada 45 quilos. Depois, no começo de 2012, passei a me cuidar mais, melhorei minha alimentação e me matriculei na academia. Em meados do ano passado cheguei aos 50 kg, que mantenho até hoje. Me acho mais bonita agora, com estes quilinhos a mais: meu rosto ficou mais cheinho, o corpo mais redondinho e feminino e até as roupas tem um caimento melhor. Mas, eu gostaria de ganhar pelo menos mais 3 quilos. Então, gostaria de saber como você conseguiu ganhar peso, se foi apenas alimentação comum e academia, ou se tomou algum suplemento? Enfim, o que ajudou você a ganhar peso e o que pode me sugerir pra me ajudar. Ficaria muito grata. Beijos!

  5. Vanessa disse:

    Oi Aninnha, eu não recomendo a ninguém o modo que eu ganhei peso, que foi meramente na base do sedentarismo e continuando a comer sem restrições, como sempre fiz. Foi só eu mudar de casa e começar a usar o ônibus ao invés de ir a pé até a faculdade que eu ganhei uns 5 quilos em 3 meses e depois eu ganhei mais dois ao longo do tempo. Não sou nenhum exemplo, né?Mas meu irmão tem o mesmo problema e resolve isso com alimentação reforçada e com musculação, ele toma alguns suplementos de proteína também. Ele já foi no médico para obter algum remédio que engordasse (a médica não queria receitar, ele teve que comovê-la para mostrar a ela o quanto ele sofria por ser magro) mas acabou engordando demais e parou, definitivamente não seria interessante a você que quer apenas 2 quilinhos.

  6. Aninha L. disse:

    Oi Vanessa. Já cogitei a possibilidade de medicamentos e também de suplementos, tendo em vista que me alimento bem (balanceio proteinas, carboidratos e frutas/verduras). Mas conheço dois casos de pessoas que tomaram medicamentos e acabaram engordando muito e nunca mais conseguiram reverter a situação, então descartei esta possibilidade. Quanto ao uso de suplementos, também descartei esta possibilidade porque, apesar de aprovados pela Anvisa e serem seguros, as empresas sempre colocam testosterona para resultados mais rápidos. Além disso, teria que tomar estes suplementos pra sempre porque, quando se para de tomá-los, o corpo volta ao normal – já vi vários casos assim na academia que frequento. Poxa, seu método foi bem radical rsrs Mas, e no momento, estás fazendo alguma atividade física, está se alimentando melhor? Bem, te acho uma pessoa bem esclarecida e acho que não vais ficar chateada, então cuidado com estes hábitos a longo prazo, pode te trazer muitos malefícios, se cuide mulher! Rsrs Abraços

  7. Vanessa disse:

    Oi Aninha,Depois dos remédios ele nunca mais voltou a ser tão magro quanto antes, mas não continuou do jeito que os remédios estavam o deixando (rosto redondo e início de pancinha). O que ele toma não tem "extras", se tivessem ele parava na hora, até porque a intenção dele nunca foi ser bombadão, apenas não ser magro.Apesar de comer bastante, acredito que minha alimentação atual é melhor que antigamente e não faço academia porque realmente acho chato e ando sem tempo, mas depois que as coisas acalmarem pretendo sair atrás de algo do tipo.Abraços!

  8. Flávia Souza disse:

    Gata, curti demais seu blog. já estou seguindo. faça uma visita no meu. bjs e bom carnaval :)bjsFláviawww.conexaoflavia.blogspot.com

  9. Mayra Nagase disse:

    Vanessa, não acredito que seja tanto uma questão sobre o padrão de beleza, mas sim sobre o estilo de vida vigente em cada época. Estamos em um período no qual crianças já desenvolvem doenças que antes só se viam em adultos (doenças cardíacas e psicológicas, diabetes, hipertensão, etc.). Assim, acho que a essência do padrão de beleza é o mesmo; uma mulher como a Alinne Moraes seria bonita tanto hoje como antes. O que acontece é que, antigamente, as mulheres eram bem mais magras mesmo, corriam na rua o dia inteiro, comiam somente em casa, já que a oferta e a facilidade de se conseguir alimentos eram muito mais escassas, além do merchan, do consumismo, que se estendeu amplamente à indústria alimentícia também. Deste modo, nos dias atuais, para estarmos como a Alinne Moraes, na média, precisamos emagrecer; antes, as mulheres precisariam engordar. Claro que a ditadura da magreza está mais rigorosa agora, mas acho que o mudou substancialmente foi o estilo de vida, não o padrão de beleza. Lembrando que uma modelo como a Vlada seria, com certeza nenhuma, alvo de críticas pela população média (exemplo para ilustrar que meu universo está restringido ao Brasil, pois sei que no hemisfério norte, aprecia-se mais a magreza do que aqui).

  10. Mayra Nagase disse:

    Ah, e deixo aqui a minha crítica sobre o padrão de beleza, que através dos séculos, continua preterindo as diversas belezas do mundo em prol da beleza caucasiana/europeia. Desde pintores mais primordiais até Vogue, Fashion Weeks, Elle, SportsIllustrated, e todas as demais. É isso aí. Beijos

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